Os guardas do tesouro do rei no tribunal dos tributos
Ao rei absoluto
Todos pagam tributo
Ao nascer, ao viver, ao luto;
Todos lhe pagam tributo.
Tributos desviados
Palácios adornados
Sonhos realizados
Tribotários lesados.
Do nascimento ao luto
Todos pagam tributo
Ao rei absoluto
Que possui salvo conduto.
O montante do imposto
Desajuíza-o como o mosto
Servido a seu gosto
Sobre a mesa do desgosto.
Mesa farta
Mesa vazia
Branca carta
Fome, agonia.
Até quando será assim?
Filhos pedem pão pra mim;
Raquíticos, perto do fim;
Aviões, de Miami a Pequim.
Futebol, carnaval, samba,
O néscio se embebeda
Tribotários na corda bamba
Aguardando o sopro, a queda.
Um rei que observa calado
Os guardas tibúrcios agindo
O povo apático, indignado,
E o país, submergindo.
Autor: Nelson da silva.